2.12.07

Espinho desconhecido...

As ruas escuras sao iluminadas por uma estrela cadente que rasga o ceu negro. E' um segundo. Sao dois no maximo. Mas o arrasto deixado por essa chama estrelar marca o ceu e muda destinos. La' no fundo, o som das ondas a varrerem a areia e o cintilar da espuma branca fazem a musica de fundo. O intenso nevoeiro completa esse cenario quase cinematografico. As casas antigas de janelas floridas mal se conseguem distinguir por causa das nuvens brancas que se formam a sua volta. E as pedras da calcada transformam as ruelas quotidianas num labirinto misterioso. Quase tao sinistro como o de Minotauro. O coracao bate mais depressa. 'A medida que avanco a sensacao e' a de entrar num livro. Talvez nas perdidas brumas de Avalon, reenontrando Rei Artur e a Tavola Redonda ou simplesmente num misterioso gandoleiro veneziano...nao sei... Mas a vontade e' de continuar ate' o fim, redescobrindo a minha rua, a minha cidade, que por momentos magicos se torna tao desconhecida...

30.11.07

Magico!

Loucas verdades

"Eu que nao me sento num trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar, porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais no cume calmo do meu olho que ve assenta a sombra sonora de um disco voador"

Raul Seixas, Ouro de Tolo

Procurando... II

Mas ainda assim, os sonhos se nao existissem que valor dariamos a vida? Sei que metodicamente falando nada do que disse, pensei ou sonhei tem algum sentido ou, para que conste, qualquer importancia. So que o facto de palavras serem escritas ou varridas pelo ventos faz com que sejam de certa forma ouvidas. Nao que isto leve a alguma parte, de forma nenhuma... Mas pode conferir o tal sentido, razao ou proposito...?
...ou talvez nao...


Procurando...

Procuro uma razao inexistente para as coisas fazerem sentido.
No entanto, quanto mais procuro menos nexo elas tem...
O sistematico falhanco dos meus actos comecam a frustar-me. Cacos espalhados pelo chao, vidros pontiagudos reflectem uma realidade estilhacada.
Sonho de olhos abertos em vez दे viver de olhos fechados.
Vejo toda a minha vida a acontecer em frente aos meus olhos como uma glamorosa pelicula.
Mas nada acontece. Onde estao os frutos dessa arvore tao torta e esqualida que e' a minha vida?
Procuro e continuo procurando razoes e desculpas para estar a aqui.
O meu proposito nao sei qual e'. Muito provavelmente nem existe. A soma de todas a formas geometricas a minha volta mais uma vez so' dao caos. Circunferencias e paralelepipedos flutuam ao longe e passam por mim como se nada fosse. As cores sao fortes, mas tristes. O desenho das ruas sao agora disformes. E apesar da minha visao privilegiada (sim, porque vejo tudo de um segundo andar dum autocarro!) nao consigo enxergar nada.
Houve tempos em que via fadas a sorrirem para mim e ouvia sininhos a tocar (ou nao...). Mas agora a unica coisa que vejo e que ouco sao os meus proprio demonios. Monstrinhos bem feios de constituicao fisica um tanto quanto estranha e estatura muito muito baixa. Sao eles que nao me deixam avancar sobre a ponte ou que pelo menos nao ma deixam ver. Fica tudo tao desfocado pelas brumas da duvida, da incerteza e da auto-compaixao. As unicas vezes que consigo realmente avancar piso os cacos da minha tao desprezivel realidade, corto os pes e as minhas asas murcham. O sangue no chao nem e' sangue e a dor nem e' dor... e' tudo apenas uma grande desilusao...


(27.11.07)

11.4.07

Para sempre...?


"Mudaram as estações e nada mudou

Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempreSem saber
Que o pra sempre, sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou..."
Renato Russo